Sempre que há uma estréia, há uma esperança. Sabe-se que a trajetória das letras é longa e penosa; diz Carpentier que são precisos 20 anos para que um escritor atinja aquele estágio profissional hábil a arrastar seus leitores para onde queira. Passe o exagero, sabe-se que a escalada para a notoriedade, ou para o simples reconhecimento, supõe um aprendizado pertinaz, feito de mil leituras, de mil exercícios, de muitas decepções e recomeçares - e isso se realiza no tempo. O livro que você tem em mãos parece contradizer tudo isso: Luiz Paulo Faccioli não é conhecido como escritor, não freqüenta páginas de jornais, não engorda antologias e nem circula pelos sites literários da Internet. É, por assim dizer, uma novidade. Pode alguém perguntar, depois da leitura deste Elepê, e compreensivelmente admirado da sagacidade narrativa e da exata configuração dos subtextos, como pode ser esse o primeiro livro de alguém? O que é intrigante torna-se claro para quem acompanha Luiz Paulo-pessoa em sua longa e amadurecida investida nas artes: músico, conhecedor de cinema e grande leitor, preparava-se quase sem o saber, no cotidiano de suas experiências e no diálogo frutífero com bons interlocutores e em especial com sua mulher, também escritora. Surge, Luiz Paulo, naquele ponto em que muitos terminam, e contempla-nos com esses contos de andamento eficiente e precisa estruturação de personagens, optando por narrativas em que o evento trivial é transformado em matéria inquietante - e aí está o melhor de seus textos. Claro, sua trajetória oficial recém começa, mas para nós, que privamos de sua Intimidade, já tem várias jornadas percorridas. O que virá, a seguir, é uma incógnita; mas para terminar como iniciamos, se todo o começo é uma esperança, o começo de Luiz Paulo Faccioli é uma esperança que se realiza. Temos um autor: boa leitura para todos.

Luiz Antonio de Assis Brasil
na apresentação do livro Elepê, setembro/2000

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