Para contar Chico Buarque

Carlos André Moreira

Muito se tem falado do Chico Buarque romancista, mas o escritor gaúcho Luiz Paulo Faccioli preferiu dialogar com outro veículo para o Chico Buarque contador de histórias: a brevidade certeira de suas canções. 'Trocando em Miúdos ', livro que Faccioli autografa hoje, reúne 15 narrativas inspiradas em canções de Chico Buarque.

A inspiração não é um diálogo direto, é uma “leitura” em prosa de atmosferas criadas por Chico em algumas de suas canções.

– Isso foi proposital. Eu queria que o livro se bastasse sem ter referência à obra do Chico. Construir o livro como peça autônoma. Tem de evocar ecos do Chico mas não é necessário nem conhecer as músicas para se compreender as histórias – diz o escritor.

Músico ele próprio, sócio da editora local Casa Verde e grande admirador da obra de Chico, Faccioli conta que, ao refletir sobre minicontos para editar uma coletânea da editora, teve o estalo, ao ouvir a música 'Suburbano Coração', de que Chico tinha muitas canções narrativas que eram, a seu modo, breves contos. Daí surgiu a idéia de retomar algumas dessas histórias por outros pontos de vista. às vezes no mesmo tom, como em 'Um Dia Depois de Outro Dia', no qual a canção 'Vitrines' serve de pretexto para a história de um homem que observa o trottoir de uma garota de programa. Outras vezes, da música que lhe deu origem, um conto pode trazer apenas um ou dois versos incluídos e seguir noutra direção, como 'Mar e Lua', que acrescenta uma ironia ao fim da história inspirada pelo que, em Chico, é uma delicada narrativa de escândalo.

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