Cida, a Gata Maravilha

Ana Mello

Gosto de bichos, de quase todos os bichos. De escritores também, quase todos os que já li. Não tinha lido ainda o Luiz Paulo Faccioli. Pelo menos não em livro.

Gostar de um escritor pode começar por sua fala, sua simpatia ou sua gentileza, coisa que ele tem de sobra, exemplarmente exibida na sessão de autógrafos do Caminho do Livro, num sábado de agosto.

Não perdi a oportunidade e fui para a fila bem cedo. Escolhi até a cor da caneta para o autógrafo, rosa, da cor do nariz da Cida que está na capa do livro, ilustração do André Neves.

A história da Cida eu li de uma sentada, pois é história que parece uma conversa, coisa que se conta para um amigo entre um chimarrão e outro ou até com uma taça de vinho.

Uma pessoa, de visita, faz um carinho no bichano ali do lado e a gente sai contando como ela apareceu assim, aparecida, como foi tomando conta e mandando na casa. A Cida é assim, uma gata abusada que chegou de mansinho e tomou conta da casa do LP e da Cíntia, assim como tomou conta da minha leitura.

Sei muito bem que histórias de bichos acontecem somente com certo tipo de pessoas pré-dispostas a dar carinho e amizade e que têm capacidade de observar, apreender e contar.

Ler sobre essa Gata Maravilha pode ser um modo de saborear tudo isso com determinadas vantagens para os mais preguiçosos, sem a caixa de areia, a consulta do veterinário, presentinhos do pet shop e pêlos no sofá. Pode ser uma maneira de presentear um amigo que não sabe aproveitar da convivência com os bichos ou que está impossibilitado de fazê-lo por morar em apartamento ou porque fica fora de casa o dia inteiro.

A forma, o leitor escolhe, mas não acredite na classificação do livro como romance infanto-juvenil. É um livro para quem gosta de ler.

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